Dramaturgo, poeta e ficcionista, Thomas Lanier Williams nasceu em 1911, em Columbus, Mississipi. O seu pai, Cornelius Coffin, vendedor de sapatos emocionalmente ausente, provinha de uma importante família política do Tennessee. A sua mãe, Edwina Dakin Williams, era filha de um pastor evangélico. A irmã mais velha, Rose, era emocional e mentalmente instável e veio a sofrer uma lobotomia frontal. A relação com esta irmã e a sua doença exerceram uma influência notória na vida e no trabalho de Williams.
Quando, em 1929, entra na Universidade do Missouri, o seu profundo acento sulista e a sua pobreza valeram-lhe a alcunha de ‘Tennessee’. A situação financeira da família obrigá-lo-ia, aliás, a abandonar a universidade e a empregar-se na mesma fábrica de sapatos onde trabalhava o seu pai. Williams tinha começado a escrever na sua infância, quando a mãe, para o distrair da inactividade forçada provocada pela difteria, lhe ofereceu uma máquina de escrever. Em 1938, regressa à Universidade, desta vez no Iowa, e obtém a sua graduação aos 27 anos. Aí estrearia a sua primeira peça, Spring Storm, ainda assinada por Tom Williams.
Mudou-se então para New Orleans e adoptou definitivamente o nome de Tennessee Williams. Com um novo nome, uma nova casa e um talento promissor, Williams assume publicamente a sua homossexualidade. Em 1939, recebe o seu primeiro prémio por American Blues, colectânea de peças curtas. No ano seguinte, a sua primeira peça de grande fôlego, Battle of Angels (mais tarde reescrita e republicada com o título Orpheus Descending), torna-se a primeira a ser produzida num contexto profissional e fracassa rotundamente.
Em 1944/45, dá-se então o ponto de viragem na sua carreira: The Glass Menagerie (O Jardim Zoológico de Cristal) é produzido em Chicago com grande sucesso e, logo depois, chega à Broadway. Fortemente autobiográfica, a peça ganharia o prémio do New York Drama Critics' Circle como melhor peça do ano. O êxito levaria a que, nos oito anos que se seguiram, fossem produzidas na Broadway A Streetcar Named Desire, Summer and Smoke, The Rose Tattoo e Camino Real. A primeira destas peças venceria o Prémio Pulitzer, afirmando-o definitivamente como dramaturgo de referência.
É nesta altura que conhece Frank Merlo, por quem se apaixonará. A relação com Merlo, que se prolongará até à morte deste, em 1961, virá aliás a contribuir para estabilizar a vida de Williams, eterno depressivo que vivia no pânico de enlouquecer, tal como acontecera à irmã.
Estes foram os anos mais produtivos da vida de Williams. As suas peças conheceram grande êxito dentro e fora dos Estados Unidos: The Rose Tattoo (1951); Cat on a Hot Tin Roof (1955), que lhe valeria o seu segundo Pulitzer; e Night of the Iguana (1961).
Tennessee Williams ofereceu à dramaturgia americana personagens inesquecíveis, uma visão singular da vida no Sul dos EUA, mas também alguns retratos poderosos da condição humana. Interessava-lhe sobretudo aquilo a que chamava ‘realismo poético’, o uso de objectos quotidianos que, pela sua repetição e contextualização, se impregnam de significados simbólicos.
Os anos sessenta marcam tempos difíceis para Williams. Tornara-se dependente de drogas e tudo se aprofundou com a morte de Merlo, que o atirou para dez anos de depressão, insegurança sobre o seu trabalho e um ciúme doentio dos sucessos dos dramaturgos mais jovens.
Em 1969, passa dois meses num programa de desintoxicação da sua dependência prolongada de anfetaminas, barbitúricos e álcool. Neste período, escreve In the Bar of a Tokyo Hotel, sobre a dificuldade de criar uma obra de arte, e The Two Character Play, que retrata a dúvida pessoal do autor e o seu alcoolismo.
Em 1975, publica as suas reveladoras Memoirs. A sua última peça, A House Not Meant to Stand conheceu a sua estreia em 1982, no Goodman Theatre of Chicago. Em 1983, Williams morreria asfixiado, no Hotel Elysée, em Nova Iorque, depois de uma noite de excessos.
"Jardim Zoológico de Cristal" é a peça de Tennessee Williams que o Ao Cabo Teatro apresenta no TMG esta sexta-feira (6 de Novembro). Uma encenação de Nuno Cardoso.
Na imagem, a capa da revista Time com a fotografia de Tennessee Williams.